Hoje fui ao cinema assistir o novo filme do Tarantino, Bastardo Inglórios, gostei muito, como quase todos os filmes dele que já assisti. Violento e cheio de referências de outro filmes, às vezes os dele mesmo. Mas não era disso que eu queria falar, era sobre o caminho até o cinema.
Sexta-feira é o pior dia pra sair de carro em Sampa, acho que todo mundo sabe disso. Moro perto do metrô e o filme tava rolando na Av.Paulista, perfeito. Coloquei meu boné e embaraquei em mais uma viagem pessoal e introspectiva. Peguei o metrozão, tranquilo e na hora descer na estação certa minha primeira constatação é uma velha e triste. Como a média do povo paulistano é mal educado, Deus meu. Essas coisas se medem em simples atitudes. E na falta de civilidade, o pessoal que mora aqui é nota 10. Quando eu e o menino ao meu lado tentamos descer do trem, a massa que deveria esperar quem está dentro sair ( uma regra mundial pra quem anda de metrô ), nos atropelou, e se a gente vacilasse ficava dentro do trem mesmo. O povo não tá nem aí, atropela quem for, jovem ou velhinho, "famoso"ou desconhecido, vamos entrar e dominar o assento mais próximo. Que triste. Difícil imaginar numa evolução. Na Alemanha, em Munique o metrô não tem catraca, é tipo um self-service do bilhete e se voce não quiser pagar, vai enfrente, não tem catraca pra te segurar. Mas o povo, em sua maioria absoluta, paga, e deixa quem está dentro sair pra depois entrar.
Na avenida Paulista a competição de gente na calçada é compatível a dos carros, quase não da pra andar, tudo lotado, mas o povo dá seu jeito, caminhando e esbarrando e seguindo a canção... O filme é bem bacana, e eu me diverti bastante, exceto por um cara que ficou chupando um canudinho por 47 minutos do filme...cada um com seu fetiche, vá lá.
Na hora de ir embora, 6 da tarde, preferi outro caminho, ainda mais alternativo, voltei pra casa à pé. I-pod no ouvido e vamo que vamo, observando tudo e todos, do jeito que eu gosto. Vi muito mendigo na rua, mais do que imaginava ou estou acostumado. Eles dividem espaço com vendedores ambulante e transeuntes apressados. Com pelo menos um pode trocar um olhar, não com dó dele, mas como estivesse o cumprimentado, ciente da existência dele. Cruzando as ruas, quem tem carro mostrou a mesma falta de educação do pessoal do metrô. Parecem acelerar ao ver o pedestre, não respeitam a faixa de jeito nenhum, aquela tinta branca no chão não faz sentido pra eles. Muitos falam ao celular e isso não posso recriminar, pois também faço, talvez cometa outros pecados que eles não cometam. Numa das poucas faixas de pedestres respeitadas as pessoas também estão aceleradas, querem cruzar antes do semáforo fechar, se arriscam por entre carros e motos, outro pesadelo paulistano, só pra ganhar 4, 5 segundos. Talvez o dia deles tenha sido mais pesado que o meu, talvez eu chegue em casa e ele não. Do outro lado da calçada só uma jovem espera pra atravessar, ela está, assim como eu, com um fone no ouvido, e assim como eu, está cantando, com uma expressão mais leve, o que me tira de São Paulo por 10 segundos. É tudo rápido, o sinal fica verde, tem que atravessar.
Meu caminho vai beirando o cemitério do Araçá, por ali vejo dois potenciais trombadinhas, mas não me acho o alvo perfeito para uma abordagem, quiçá eles só estivessem com frio, com roupas sujas, e simplesmente não tinham intenção de assalto algum. Nos muros do cemitério vejo arame farpado - Caralho! - até os mortos precisam de segurança, grades, arame, cerca elétrica, sei lá o quê mais. Bem na hora em que passo pelos floristas toca uma música do U2 ( Tryin to throw your arms around the world ) com o refrão - "I'm gonna run to you, run to you, woman i will...". Não tinha nenhum cara comprando flores para suas amadas. Legal comprar flores pra namorada, pensei. É bom ter uma namorada, faz falta, dá vontade de fazer alguém feliz. Se bem que não dá pra reclamar da vida de solteiro e da independência que esse "estilo de vida" proporciona. As bancas de flores vão acabando e vejo um carro parar em um das últimas, enfim alguém vai ganhar flores hoje.
Logo após o último estande vem um cheiro forte, e não são flores, meu amigo. Acho que o jardinzinho dos mortos, beirando o muro do cemita, é bem usado pelos vivos, moradores de rua mandam número 1 e número 2 por ali e o cheiro beira o insuportável. Na ponte do Sumaré construíram um mini-parque, com uma quadra de basquete, uma área pra skate, e aqueles brinquedos, que na verdade são pra fazer exercícios, e que quando a gente olha não sabe nem usar. São aqueles modernos, sem impacto, e que me lembraram da China, onde eu havia visto os tais aparelho sendo usados por velhinhos de 111 anos, em média.
Tava chegando em casa, no ponto de ônibus a cara fechada das pessoas contrastava com a musica alegre do meu fone de ouvido. O me sinto ultrapassando os carros em alta velocidade, eles ali, todos parados, travados no trânsito. Seus motoristas desperados cometendo infrações de trânsito pra ganhar pouco, pouquíssimo tempo. Se todos andassem em ordem ia mais rápido, certeza. Paro na farmácia, compro um desodorante pra viajar, e antes de completar a jornada até em casa, tiro meu boné, não aguento ficar muito tempo de boné, pertinho daqui de casa uma moça me reconhece e pela janela do carro, meio desconcertada abre um semi-sorriso, eu devolvo um sorrisão pra ela e ganho um inteiro pra mim. Que bom poder despertar esse sentimento nas pessoas sem falar, ainda mais numa cidade como essa.
Era só isso, Felipe
PS: Incrível, quando acabei de escrever isso tocou uma música do Morcheeba chamada "São Paulo". Acho que é mais ou menos o mesmo sentimento...ouçam...rs
Por Felipe às 20h56
Cheguei de mais uma viagem incrível pelo CQC. Desta feitas as cidade foram Munique e Copenhague, Alemanha e Dinamarca respectivamente. Lugares lindos, belos totalmente distintos do Brasil, vou falar...
Pra quem mora na caótica São Paulo, ao avistar as cidade de cima, do avião, já vê a diferença. Praticamente não existem prédios altos, as construções em sua maioria são clássicas, antigas, não me pergunte o nome do estilo que aí já é demais pra mim, mas parece um Lego de tamanho real. As duas cidade são bem planas e tem ciclocvia por toda a sua extensão. Carros dividem espaço com as bikes e respeitam pedestres e bikers de maneira surreal pra quem vive numa SP em que o cara te ve atravessando a rua e acelera.
Eu gosto de falar outras línguas e é angustiante não entender patavinas do que a galera fala, parece que estão xingando, ou que estão falando 18 consoantes seguidas. Mas não se preocupe, 90%, talvez mais da população de ambas cidades fala inglês, normalmente quem não fala, não é de lá. Pra quem espera ser tratado com frieza europeia se engana. Munique fica na Bavaria, algo como o Rio de Janeiro da Alemanha, povo super simpático e caloroso, que esquenta os brazucas, ô se esquenta, mais do que qualquer litrão de cerveja. Me senti em casa lá. O Oktobertfest é como se fosse um playcenter dos bebuns, voces verão na ouuutra semana no CQC, e é realmente algo indescritível, só estando lá pra saber. Copenhague não é diferente, o atendimento em todos os locais é algo bárbaro, não viking, bárbaramente educados e sorridentes, sempre, mas sempre com um sorriso verdadeiro e cativante no rosto. No último dia, passamos em New Haven, o lugar mais bacana da ciadade ( não tenho foto de lá porque acabou a bateria da câmera! Lei de Murphy!!!!), e ao sair de um restaurante falei pra atendente que só havia comido lá por causa do sorriso dela. Ela sorriu novamente e deu parabéns pela conquista dsa olimpíadas no Rio. Realmente demais.
Nosso Brasil-sil-sil é o país dos povos misturados, portanto, quando chegamos nessas cidades ficamos malucos. Só tem loira de olho azul...rs. Na Dinamarca elas são ainda mais bonitas, tipo de cada 10, 7 voce casava...hahaha. Às vezes ficava olhando pela janela do restaurante aquelas loiras voando em suas bikes todas graciosas e despretensiosas, num balé surdo, e no meu caso, mudo. Não posso me queixar de nada nesta viagem, só aprendi. A civilidade dos povos é algo fantástico. Respeito ao próximo, tranquilidade, nada de medo de ser assaltado, você anda por qualquer lugar, em qualquer horário sem medo de levar grana, passaporte, câmera, acessórios básicos de um turista. Isso dá dor no coração quando pensamos no Brasil. É duro não poder andar sossegado nas ruas de nosso país, Dá um pouco de vergonha até.
No começo não estava torcendo muito pro Rio de Janeiro ganhar. Como bom profissional...rs...só me empolguei com o Rio-2016 quando soube que iria fazer matéria na Dinamarca, aí, pra matéria ficar mais legal, comecei a torcer pelo Rio, inicialmente, só por isso. Com o andar da carruagem comecei a querer mais que os jogos viessem pra cá. Pela dedicação e empolgação dos atletas e , confesso, do presidente Lula. Ganhar dos americanos foi especial, principalmente deles, que saíram da disputa no primeiro round. Bye bye Obama-San. Só fiquei com dó dos japas...rs. Mas a hora do anuncio e a festa brazuca foi, de fato, um barato.
Agora vem a responsabilidade de fazer Copa e Olimpíada, gastar muito dinheiro com coisas - muita gente pensa assim - menos importantes do que educação, saúde, transporte. Mas esses setores também devem ser melhorados para receber as competições. Muita gente me escreveu falando que era contra pois iriam roubar muita grana nessa história. No início também pensei assim, mas, como eterno otimista, vou pagar, literalmente, pra ver de novo. Acho que o país evoluiu e que o mundo vai ficar de olho no que vai rolar por aqui. Talvez seja a ultima chance que nossos políticos tenham pra mostrar que sim, podemos confiar pelo menos em alguns deles. Hoje estou mais feliz com os 2 eventos por aqui, vai ser demais pra esse povo.
Quando cheguei no aeroporto de Guarulhos hoje de madrugada, demorei exatamente 1 hora pra sair de lá. A bagagem demorou demais e a desorganização na fila da alfândega foi uma palhaçada. Tive eu que falar com o funcionário do aerporto pra ele abrir mais um corredor com aquela cordinha, pra ver se agilizava. Falta funcionário, falta motivação pro trabalho, falta educação e inteligência para alguns deles, falta um aerporto maior...iihhh, quando cheguei pude ver que falta muita coisa mesmo.
É bom o presidente e sua tchurma começarem a trabalhar ontem mesmo, porque olha...vai precisar. Boa sorte aos políticos, boa sorte a nós, cidadãos, boa sorte ao esportistas brasileiros que vão desfrutar de momentos incríveis competindo em casa.
Takk! Danke! Obrigado!
Felipe
PS: De lambuja, na saída de Copenhague trombamos o Pelé no aeroporto, cheguei e falei que tinha sido eu que tinha feito uma "entrevista engraçada "com ele ( voces verão, foi muito engraçado!), ele disse daquele jeito Pelesistico: Claro! Eu assisto voces sempre! Eu meio que desacreditei, mas o assessor dele confirmou e ainda falou: entrou uma menina agora, né? Caraca, até tu, Rei?
PS2: Não dá pra negar, atletas e políticos brasileiros dão muita moral pra gente, até os gringos que queriam barrar nossa "festa/matéria" ficaram de queixo caído.
PS3: Não aguentava mais o chulé do meu produtor, o Tavres e os peidos do meu câmera, o Pederneiras! Ai que alegria estar em casa!!!
Por Felipe às 14h39
Felipe Andreoli, jornalista, agora humorista, mas nem sempre piadista. Um pouco azedo pela manhã, e mais alto do que parece na TV. Viciado em Geléia Geral. E sim, às vezes tenho vergonha escrever. Beijo me escreve.
Este blog é para aqueles que gostam de observar as simples coisas da vida, sejam elas ao vivo ou através da telinha da TV. Pra quem gosta de falar de TV, esportes, cultura, música, e dar umas boas risadas de vez em quando. Entre, leia e sinta-se em casa, é essa a ideia, me aproximar daqueles que querem ouvir o que tenho a dizer.